sábado, 25 de dezembro de 2010

A gente nunca sabe de quem vai gostar

É porque o Amor não conhece a Liberdade, apesar da ilusão de autonomia quando, nesse estado de espírito, tudo parece possível. O Amor, sim, convive com a obediência. Sem ela, o amante não aceitaria os motivos de se machucar tanto. O Amor é uma história de aceitação. De modo que a disciplina dá sentido ao Amor; enquanto que a liberdade, em algum lugar, caminhando com o tempo, fala (baixinho): - Faça a sua parte para o eterno retorno da novidade. O tempo que tudo des(cons)trói.


Edvard Munch - Vampire (1894)

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Vaidade e vingança

Existe um lugar onde todos os livros lidos e cuidadosamente sublinhados perdem o sentido. Nesse mesmo lugar, as músicas favoritas e os artistas mais importantes fracassam no impulso de ser. Ainda nesse lugar, a nossa aparência, antes bonita e forte, sobrevive apenas com repetidos estímulos que duram poucos segundos. Amor-não-correspondido é o nome desse lar que não se escolhe entrar, mas que a teimosia faz ficar, faz lutar; por vaidade e vingança.


sábado, 11 de dezembro de 2010

Três máscaras do ser

I - A manifestação da sonolência é como uma desculpa aos atos que cometemos ao longo do dia; e dormir é paz. A pátria dos inocentes.

II - A depressão domina o ser que passa fome de arte; o principal alimento do espírito. Não é possível viver (bem) preocupando-se apenas em nutrir o corpo. A arte, morada do belo, da verdade e de todo impulso, é precisamente o que nos faz dizer: Sim, é válido qualquer sacrifício!

III - A arte é um caminho para compreensão da nossa tradição. Nessa abertura de possibilidades para interpretação de si mesmo e do mundo, amplia-se o próprio horizonte em busca do novo. Não é fácil. Existem muitos conflitos envolvidos no diálogo do meu horizonte com o horizonte do outro, mas é o tipo do esforço que vale a pena.

Mark Rothko: Red-White-Brown, 1957