segunda-feira, 17 de março de 2008

Um ponto de dúvida após olhar para dentro da janela de Magritte.

Quando começa a poesia? Ela tem fim ? Existe alguma coerência no ponto final de uma poesia? A reticência ou a vírgula seriam mais condizentes com a identidade da poesia. Não é possível afirmar se sou causa ou efeito da "minha" poesia. Quem lê o que eu escrevo, levará adiante de alguma forma, consciente ou inconscientemente, concordando ou discordando. Foucault argumenta que, o autor que produz uma obra é, na verdade, uma construção feita a partir de uma infinidade de fatores, incluindo linguagem, a concepção de literatura da sua época, entre outros elementos sociais e históricos envolvidos. Quando esses elementos são analisados, a noção de "autor" simplesmente desaparece:
"Ele, na verdade, não é a causa, origem ou ponto de partida do fenômeno da articulação escrita ou falada de uma frase; tampouco é aquela intenção significativa que, silenciosamente, antecipando palavras, ordena-as como o corpo visível de uma intuição."
Essa reflexão evidencia os caminhos infindáveis da poesia em nossas vidas. Não somos o começo nem o fim de coisa alguma nesse teatro de marionetes. Perturbadora piada de mal gosto. É isso que chamamos de Vida.


Escultura: Max Ernst - O rei a brincar com a rainha, bronze - 1944

Um comentário:

Luana disse...

"Amhrán Duit"