quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Felicidade

O filósofo, quando tem uma ideia, sente o mesmo prazer de uma pessoa que desmonta um relógio pela primeira vez para entender o seu funcionamento. Ao consertá-lo, torna-se relojoeiro. O filósofo, poeta.

Trabalho de Alex Grey

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Como se fosse possível

Quem é bom, é bom como símbolo da própria liberdade. Triste de quem, para ser gentil, depende do outro na construção do seu caráter. Esses são os canalhas, que justificam a maldade por não terem - antes - encontrado bondade alheia.

 

Edvard Munch - The sun (1911)

segunda-feira, 18 de junho de 2012

Violência

A sustentabilidade, que fez amor com o politicamente correto, deu à lua ao anti bullying. Ainda bem que o Kafka não é do nosso tempo. Porque se fosse, Kafka não teria sido tão Kafka e a literatura seria - ainda mais - sorridente, amarelada e, claro, chatíssima. Colheitas malditas proporcionam os melhores cenários para a Arte.

Carnaval de Arlequim - Joan Miró (pintura em óleo de 1924)

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Ferro velho

O Notebook já era; agora é a vez do ultrabook. Smartphone então, nem se fala; chegou o superphone da samsung. Quando será que o homem ficará obsoleto dando lugar ao super-homem? Não sei; talvez nunca. Nietzsche, com o seu Zaratustra, teve um devaneio; uma mistura de pedantismo e esperança que cativou um aqui, outro ali. Passou. Infelizmente, na nossa geração, ser O Cara é tornar-se prestigiado empresário - dos mais variados ramos - que faz 1 dólar virar 1 milhão do dia pra noite. Bacana. A sociedade, misturada em toda tecnologia, dinheiro e fama disponível, é o maior ferro velho na face da Terra. O criador perdeu para a própria criatura. Feito final de filme melancólico da sessão da tarde.

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Inteligência

Ser inteligente hoje em dia não significa ter a capacidade de mudar o mundo; muito menos de mudar as pessoas que convivemos. O que resta, ainda com grande dignidade, é prever de que maneira viveremos nos próximos anos e ter a atitude de aceitar ou rejeitar esse modelo, assumindo cada um a sua parcela de responsabilidade.


terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Ateísmo

Significa que eu desconsidero a existência do deus cristão. Porém, o capitalismo é uma relação (vitoriosa) de amor com a religião. De modo que deus está diluído na arte, na música, nos produtos de toda ordem e qualquer tipo de coisa que se compra e vende. Seria muita arrogância se eu dissesse que não acredito em deus quando, sem pudor algum, adoro isso e aquilo como se fossem verdadeiras divindades.

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Educação

Que seja como uma casa. De modo que apresente-se como mundo e que nos proteja contra o mundo. Uma casa com janelas grandes para confrontarmos o que foge do familiar; porque não estamos cegos pelas limitações dos nossos princípios que mantém-nos de pé. Que essa casa possua uma porta e nos sirva de motivação para o lado de fora em eventuais afastamentos do conforto dogmático que dorme na indiferença ao novo. Assim, através dessa aventura em busca de novos horizontes, experimentaremos todo o risco de ser com os outros. Sempre conscientes que, seja onde estivermos, levaremos conosco o lar que não conseguimos escapar.

Hayao Miyazaki - O Castelo Animado (2004)

sábado, 25 de dezembro de 2010

A gente nunca sabe de quem vai gostar

É porque o Amor não conhece a Liberdade, apesar da ilusão de autonomia quando, nesse estado de espírito, tudo parece possível. O Amor, sim, convive com a obediência. Sem ela, o amante não aceitaria os motivos de se machucar tanto. O Amor é uma história de aceitação. De modo que a disciplina dá sentido ao Amor; enquanto que a liberdade, em algum lugar, caminhando com o tempo, fala (baixinho): - Faça a sua parte para o eterno retorno da novidade. O tempo que tudo des(cons)trói.


Edvard Munch - Vampire (1894)

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Vaidade e vingança

Existe um lugar onde todos os livros lidos e cuidadosamente sublinhados perdem o sentido. Nesse mesmo lugar, as músicas favoritas e os artistas mais importantes fracassam no impulso de ser. Ainda nesse lugar, a nossa aparência, antes bonita e forte, sobrevive apenas com repetidos estímulos que duram poucos segundos. Amor-não-correspondido é o nome desse lar que não se escolhe entrar, mas que a teimosia faz ficar, faz lutar; por vaidade e vingança.


sábado, 11 de dezembro de 2010

Três máscaras do ser

I - A manifestação da sonolência é como uma desculpa aos atos que cometemos ao longo do dia; e dormir é paz. A pátria dos inocentes.

II - A depressão domina o ser que passa fome de arte; o principal alimento do espírito. Não é possível viver (bem) preocupando-se apenas em nutrir o corpo. A arte, morada do belo, da verdade e de todo impulso, é precisamente o que nos faz dizer: Sim, é válido qualquer sacrifício!

III - A arte é um caminho para compreensão da nossa tradição. Nessa abertura de possibilidades para interpretação de si mesmo e do mundo, amplia-se o próprio horizonte em busca do novo. Não é fácil. Existem muitos conflitos envolvidos no diálogo do meu horizonte com o horizonte do outro, mas é o tipo do esforço que vale a pena.

Mark Rothko: Red-White-Brown, 1957