sábado, 22 de março de 2008

Arearea metafísico:

Amarrei firme os cadaços do meu all star vermelho-vida, vesti aquela calça rasgada favorita e a jaqueta preta que eu mais gosto. Saí de casa sorrindo e fumando esse Carlton forte pra cacete, sentindo o vento do destino batendo na minha cara debochada, tão adolescente. Nesses dias de lentidão em que o tempo passa devagar e que cada segundo é importante mesmo que a revolução não esteja a ao meu redor, mas dentro de mim, eu penso que a vida é bonita e me defendo dos males que ela diariamente me propicia com a minha armadura Jeans e ouvindo oasis...

"Maybe I just want to fly
I want to live I don't want to die
Maybe I just want to breath
Maybe I just don't believe
Maybe you're the same as me
We see things they'll never see
You and I are gonna live forever¹"

Existem momentos em que tudo que você já viu, leu e aprendeu começa a entrar em choque e as contradições ficam evidente à espíritos mais críticos. Tantas teorias, tantos autores, tantas práticas, tantas desgraças, tanto sofrimento, tanta angústia e pouca meditação faz a sua cabeça doer por horas. Não se deve ter vergonha em admitir insegurança e frustrações ideologicas. Pior são aqueles que jamais passam pela navalha da autocrítica e se masturbam constantemente com a mesma mão ideológica e acham isso um barato! Eis a preguiça, um conforto hipócrita... oh cegueira! A vida não deve ser um constante apreender, uma adição interminável. Bem aventurados aqueles que conseguem ter momentos prazerosos em que fecham seus livros e começam a questionar o que leram, negar, ver com outros olhos. Acho terrível a sensação quando pergunto-me: - Quem sou eu no meio desse montão de informação? Em que eu acredito? Quais são os efeitos e as causas dessas crenças?

No livro 'Gaia ciência', aforismo número VI: 'Perda da dignidade', o Nietzsche argumenta sobre essa falta de meditação nas pessoas e como algumas pessoas aceitam tudo que aprendem e 'vomitam' no mundo pensamentos sem o mínimo de reflexão, essas respostas prontas e rápidas que o populacho intelectual chama de verdade.

Dias assim são necessários para sentir a vida, e tudo que a constitui: o vento, o sol, o céu, as pessoas se abraçando e aquele sorvete kibom :) Indipensável também são as horas de meditação, auto crítica e organização de idéias que estão em puro Caos. Não é fácil, Omnia mutantur, nos et mutamur in illis.


Rembrandt Van Rijn ~ O filósofo meditando, óleo sobre tela - 1632

Nota¹: Oasis - Live forever

Um comentário:

Ortiz disse...

... sorvete de qualquer marca tem que ser de flocos!
só pq é o melhor.