quinta-feira, 12 de junho de 2008

A porta e a felicidade

Os problemas que envolvem nosso cotidiano são vários, como você sabe: Fila no caixa eletrônico, vizinho chato, trânsico, etc etc... A impressão que eu tenho é que passamos o dia com uma vontade incontrolável de apenas chegar em casa e bater a porta de entrada e trancá-la o mais rápido possível!

Não, não é um ato qualquer. Quando entramos em nossa casa nos sentimos seguros contra o mal que ronda as ruas; O lar significa segurança, conforto, preguiça, liberdade, intimidade. Então essa coisa de "trancar-se" rapidamente é como se fosse uma forma de aprisionar a felicidade dentro de um espaço que só cabe a gente e o resto fica do lado de fora, longe, em outro mundo (que não queremos nos importar).

Para ser feliz é preciso de um pouco de surdez, cegueira, romantismo, indiferença, ignorâncua, consumismo; É fácil? Depende o grau de lucidez de cada um.

Se Aristóteles estava certo (com relação a achar um ponto exato para praticar algum ato sem exageros), então existe um nível ideal entre a lucidez e a felicidade. Eu acho que você, Ani, consegue com grande suncesso viver com um alto grau de compreensão da realidade (lendo, pesquisando), mas também sabe curtir sua vida colocando fones nos ouvidos, recebendo seu salário e comprando sapatos roxos e pretos.

3 comentários:

Ani Cristina Bariquello disse...

(Só para constar, aos seus leitores, esse post é um extensão de uma reflexão exposta em meu blog: http://reexistencialismo.blogspot.com/2008/06/crise-existencial-para-perdedores.html)

Assim que li seu "comentário-mais-que -comentário" pesei em duas coisas:

1. identifiquei-me com este fato, ao chegar em casa, não recolho-me apenas ao meu lar, mas a um local em específico meu quarto, e estranho como aquele local é de tal forma refúgio que a porta sempre está fechada, eu nem entro nem saio sem fechar a porta... meu casulo/esconderijo/escudo... faz sentido...

2. Sobre a questão de ponto exato para a felicidade, sei lá, estou cada vez mais afastando-me do extremo da ilusão em direção a lucidez, isso não é nada, nada bom. :/

Ajuda a velma a iludir-se mais?

=*

Diego Mélo disse...

Ajudo muito =*

Fernanda Schimanski Bernardes disse...

Oh, meu quarto também é assim! Li o post da Ani e se fosse fácil daquele jeito não teria graça viver...eu prefiro o caos, a incerteza, a gana de descobrir o novo, o amanhã sem resposta pronta.E considero o mundo lá fora necessário exatamente para que a nossa casa passe a ser importante e isso nos faça sentir falta dela, do contrário todos passariam a viver como andarilhios ou mendigos vivendo no mundo sem ter ou nem querer ter pra onde ir...