domingo, 15 de junho de 2008

18:40 Nota Pessoal

"Porque o samba é a tristeza que balança. E a tristeza tem sempre uma esperança. A tristeza tem sempre uma esperança. De um dia não ser mais triste não..." (Vinicius de Moraes)

Percebi que a desmistificação do mundo não é tarefa exclusiva das ciências naturais, ou da supervalorização da realidade e sua fiel coisa em si. A filosofia também entrou nesse caminho e não sairá dessa estrada tão cedo. A vontade de verdade que está se tornando cada vez mais comum até entre os leigos, invadiu com ímpeto uma idéia importante, o Amor, degrau mais elevado da paixão. É difícil encontrar pessoas da nossa geração que ainda acreditem em "príncipe encantado", "amor à primeira vista" e na força absoluta das emoções. Esse fenômeno mudou drasticamente os relacionamentos contemporâneos, que terminam por qualquer bobagem, repentinamente.

O Amor virou coisa de gente cafona, uma coisa ultrapassada. Cool, é entrar numa roda de amigos e contar vantagem de quantos rabos de saia você pegou no final de semana anterior. Tudo muito legal, se não fosse a frustração que essas experiências trazem: a insegurança, a falta de intimidade, a descrença em qualquer sentimento mais elevado. Quando você esquece do Amor, é como se estivesse boicotando a engrenagem principal do mundo que construimos. Essa ilusão do "Amor da sua vida" é necessária, por mais que você tenha dito coisa semelhante a outra pessoa.

Essas ilusões são necessárias para a manutenção da nossa poesia. Destruilas significa aceitar viver o peso da verdade e isso ninguém parece preparado. A mentira, ao lado da paixão, faz parte dos fundamentos essenciais da nossa vida. É preciso acreditar na eternidade, em dias melhores. A esperança, essa teimosia cotidiana, é uma virtude que recebemos logo que nascemos e que precisamos utilizar com mais frequência.

Nós somos os criadores de algo belíssimo, motivador, forte, quente e encantador! Contudo, essa criação provavelmente já matou e ainda cometerá outros crimes ao decorrer de sua existência. Acima de tudo, o amor é uma decisão Moral.

Filme: Dolls (JAPÃO, Direção Takeshi Kitano - 2002 )

3 comentários:

Estagio disse...

nossa
como o senhor esta romantico
por nao acreditar neste deus nao sei dizer se concordo ou nao...
forundo, mas acretido que nao passa de um sentimento, algo que vem e vai embora, Desejo sempre nos atrapalha...depositar num outro o seu amor é nao ter coragem de deposita-lo em si proprio...uma filosofia que ando seguindo...ate que vai indo bem
mas vamos que vamos
gostei da foto do filme e vou procurar assisti-lo =)

Ani Cristina Bariquello disse...

Leu pouco Camus ultimamente - especialmente no final de semana - esse meu menino, que escreveu assim, tão bela e inocentemente este elogio ao amor e à esperança...

Ao comentário...

Discordo da mentirinhas necessárias, sei lá, sabe bem que gosto de realidade, e até mesmo sofro um pouco para desvincular-me dela... sofro mesmo.

Mas a esperança, ah! a esperança...
como é bom se iludir não é?
O que seria do mundo, dos relacionamentos, das paixões, dos amores, sem o mínimo de ilusão, se esperança...

Engraçado, quinta-feira em uma conversa de bar, quando alguns dos amigos que assistiam sem opiniar, lembrei de você, enquanto outro amigo discutíamos a amargura do existencialismo quando nos coloca diante da realidade "nua" e fazemos aquela pergunta essencial:
- Por que estou vivendo?
A resposta é simples, porque eu tenho esperança, não importa porque, nem em que, eu tenho esperança, é uma ilusão vaga, mas é o que motiva a vida, é válido, se eu quero continuar vivendo.
Esta é a mesma resposta pra as pergunta derivadas:
- Por que eu amo?
- Por que eu namoro?
etc, etc, etc...
É necessário queremos alcançar algo que não sabemos o que é, nem onde está, é necessário? É, se não fosse essa pequena ilusão não seríamos felizes e não teríamos motivação para nada...
Enfim.

Fernanda Schimanski Bernardes disse...

Verdade além de ser dificíl encontrar pessoas que amem de verdade alguém, está dificíl também de encontrar os que não amam de verdade mas contem essas "mentirinhas" que nos trazem a esperança.E o pior é que nós mesmos criamos esse "amor monstro" e depois ficamos com medo dele e jugimos como crianças...(já fiz muito isso). Boa teoria!(e o mais bacana é que falamos sobre isso esses dias..ahhh!)