domingo, 4 de janeiro de 2009

- Argumento

Vejam só!
Esse anel de aço escovado,
que não enegrece, nem arranha.

Não me agrada uma criação arrogante,
inumana.
Efetivamente arte e falsificadora da vida.

Esse anel, para ser belo
precisaria envelhecer,
tornar-se imagem e semelhança do criador
Podre, sujo, bicho-autêntico.

Rosa murcha
pênis flácido,
seios caídos, enrugados.
Nobre é o existir para aqueles que lidam com a morte
E nem por um segundo se queixam de doenças.

Toulouse-Lautrec - The Kiss / 1892

Um comentário:

anibarichello disse...

"Efetivamente arte e falsificador da vida".

Acredito que seja exatamente este o objetivo.

Que não se confunda com o humano.

Sim é digno aceitar que viver é andar diariamente em direção à morte.

Nos aproximamos dela quando olhamos no espelho e percebemos uma ruga aqui, outra ali, seguidas de outras características consideradas imperfeições.

A juventude é linda, a vitalidade, os impulsos, a determinação, a coragem, a beleza. Não desejamos nos afastar dela, mas isso não é possível.

A arte transcende a vida.

Mas o que acho interessante mesmo é o desejo de que o tempo se torne estático às marcas do tempo ultrapassa à criação de objetos e transfere-se aos humanos, que repudiam envelhecer, repudiam morrer, viver...

Seres de plástico.

Adorei a poesia.

Talvez daqui a alguns anos olhemos para o seu anel intacto e pensemos:
- Feliz dele, "viverá" eternamente.