quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

Quatro desculpas esfarrapadas

Incompreensão

X: Como é possível?
Você protesta contra mim e age da mesma forma!
Y: De fato, algumas pessoas não compreendem argumentos
Portanto, a reprodução de um erro é a pedagogia mais eficaz.

Propriedade

Se uso ônibus
a minha morte pertence ao condutor.
Só, entre quatro paredes,
a existência perde sua antítese.

H²O

Assim a humaninade construiu sua montanha sagrada:
O eu, o meu, o é.
Necessidades básicas do egoísmo, ciúme e dogma
Vamos torcer para que seja sempre assim!

Deusumanisado

Não existem problemas religiosos,
apenas crises ontológicas.
Deus é um ideal humano,
um estado de espírito.


The Holy Mountain - Alejandro Jodorowsky (1973)

Um comentário:

anibarichello disse...

Gostaria de comentar cada uma das "desculpas esfarrapadas".
Mas, é simultaneamente complexo e interessante o fato de talvez um mesmo comentário servir para todas elas.
Não nos conhecemos bem, na verdade em muitas situações sequer desejamos nos ver, como veríamos perfeitamente o outro?
Neste momento me parece tudo embaçado, talvez seja o cheiro do verniz que sobe pelas escadas deixa-me um pouco perturbada. Talvez meus pensamentos ao reler seu post.
Não é mentira meus dedos estão dormentes, tento reconhecer claramente as mentiras que mentimos aos outros e a nós mesmos para que a vida seja mais simples e confortável, desejos e ambições fúteis: profissão, dinheiro, sucesso; conforto e regras: deus, fé, religião; delimitações: o que é meu, o que é seu, o que é nosso - muito embora no íntimo saibamos que nada pertence a ninguém - ; e, finalmente um espelho de nós, no outro, talvez a necessidade de corrigir no outro o que somos capazes de consertar em nós mesmos.
Tudo parece fazer sentido quando penso que o objetivo da vida é ir em busca do "melhor" sempre, mas o que é melhor? Aí, volta tudo à estaca zero.