terça-feira, 8 de abril de 2008

Azeitonas, companheirismo e poesia.


- Amor verde não é apenas ecologia.


Embalados por canções oníricas
contra toda realidade e opressão,
eles abraçavam-se com força libertadora
numa noite fria e cheirosa.

Não é que a pobreza estava assombrando a casa
ou que estivessem com a geladeira vazia.
Acontecia naquele instante uma celebração especial,
sorrisos bobos e juras de amor.

Dois branquelos atentos
olhando fixamente para um olho
ou seria um penis?
Não importa, ambos comiam azeitonas carentes.

[ Diego Mélo ]

Die fetten Jahre sind vorbei, 2004 (Jan & Jule)

Eu e a Aninha estávamos com bastante fome no final daquela noite de domingo e realmente só o que tinhamos para comer - de imediato - era apenas um pote de conserva de azeitona que eu tinha ganho do meu pai, graças a Deus não estava vencido. Logo pegamos cada um o seu garfo e sentamos no sofá da sala, com a janela aberta para recebermos os suspiros de Eros e de imediato começamos a come-las rapidamente e com muito prazer e ironia; Porque a cada uma que declarávamos amor-eterno, nós fazíamos algum tipo de piada com a nossa situação e o tipo de par perfeito que obrigatoriamente teria que adorar azeitonas como nós dois. Ela questionou-me se existia a possibilidade de escrever um poema sobre o que estava acontecendo ali conosco e que envolvesse o nosso bom gosto por esse alimento tão saboroso. Respondi que faria assim que tivesse tempo e após esse momento, nós três fizemos amor com os lábios.

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