segunda-feira, 12 de maio de 2008

o passado e outros crimes vergonhosos.

Irrita-me saber que uma grande quantidade de indivíduos divide não só a sua existência, mas também a História em três categorias com características duras, distintas e lineares: passado, presente e futuro. Eis uma burrice sem tamanho imaginar que a revolução francesa, as discussões iluministas e os sutiãs queimados em praça pública façam parte do passado. Mas o que é passado? Há quem diga que é qualquer coisa relacionada à morte, algo que foi e não pode mais ser, a representação da não-existência. As Mulheres não estão ocupando alguns cargos de poder por mero acaso; Elas quando são vistas sentadas atrás de mesas de importantes gabinetes representam lutas de muitas pessoas, o sangue e suor daqueles que um dia foram chamados de ridículos e revolucionários. Não preciso de mais exemplos para provar o quanto passado, presente e futuro se misturam, e dizer que é impossível separá-los. O presente apresenta-se como dialética temporal, sendo assim, aquela nossa primeira paixão ainda faz parte da nossa vida, com ela aprendemos muitas coisas, amamos umas, detestamos outras, e sabemos que mesmo não pensando diariamente no assunto, em nosso inconsciente há um lugar onde essas experiências influenciam nossas atitudes no cotidiano ou em nossos planos futuros. O Sexo é uma forma de unir novamente as almas, abandonar por algum tempo a condição humana de ser bípede solitário. Nós insistimos em procurar essa outra metade que foi separada de nós pelo grande Zeus. Em cada tentativa, mesmo que fracassada, o outro ser fica de alguma forma em nosso corpo e mente, seja na forma de eterna gratidão, ódio, ou algum tipo de lembrança lasciva por ter tirado nossa virgindade, tanto faz. Queime suas fotos, seus discos e livros, você sempre lembrará desses entes e mais uma vez voltará a imagem da causa. Todo esquecimento é mentiroso, todos que tentam matar suas angústias com o martelo do passado são covardes. Estou motivado a crer que o Futuro - esse norte que está sempre por vir - é a única coisa que podemos com coragem nos agarrar, porque dependendo de como pensamos nosso futuro, podemos agir de forma diferente no presente, assim nos desintoxicando de todo "passado". Proclamo assim minha utopia.

A árvore da vida - Gustav Klimt / óleo sobre tela, 1909

2 comentários:

Fernanda Schimanski disse...

Passado, presente e futuro. Grandes incógnitas, penso que o passado é como a flecha lançada, não volta; presente seria como é mesmo "o agora" e o futuro por sua vez, é parte e complemento do presente. O presente sem perspectiva de futuro não tem sentido, assim como o próprio futuro está sendo construído no presente, e esse presente por sua vez tem um passado que o influência agora e no futuro. E sobre o futuro "esse norte que está sempre por vir", porque norte? Ele poderia estar à leste ou oeste, talvez sul...o seu caminho você planejou antes (passado)e está construindo agora (presente)e depois (futuro) ele apenas é aquilo que você planejou e construiu, porém futuro é sempre futuro, passado sempre passado e presente sempre presente. Você nunca deixará de planejar, nem de construir e nem de usufluir/aborrecer-se com o que construiu para si mesmo, ao menos, que esteja morto.

PS: Ótimo texto.

Diego Mélo disse...

A morte, essa tristeza arrebatadora que me faz perder a esperança de planejar um bom futuro. Futuro, o otimismo essencial de todo ser vivo.